QueroWorkar #Entrevista02 – A saga para trabalhar fora do Brasil

Chegamos ao segundo post do QueroWorkar #Entrevista. Foi maravilhoso ver como foi bem recebida a nossa primeira entrevista e como vocês gostaram de saber um pouco mais do que pensa o RH. Hoje viemos para mais uma entrevista.

Veja a nossa primeira entrevista:

> QueroWorkar #Entrevista01 – A visão do RH sobre os candidatos da área de TI

perfil-mpConversamos com um desenvolvedor que começou na área por acaso. Ele que morava no Conjunto Ceará e estudava no IFCE, quando viu as primeiras aulas de programação se encantou e não saiu mais desse meio. Ele conheceu o mercado de TI de São Paulo e hoje se aventura nas terras frias do Canadá. O Marcos Paulo bateu um papo com a gente para falar como foi o processo para ele conseguir um emprego fora do país, como ele vê o mercado de São Paulo em relação ao de Fortaleza e dá dicas para conseguir trabalhar fora das terras tupiniquins. Vamos então à entrevista.

QueroWorkar: Como você começou na área de TI e como a sua carreira está hoje?

Marcos Paulo: Eu fiz o curso técnico integrado no antigo CEFET, hoje IFCE (Eu espero, mudou de novo de novo?). Durante o curso eu me apaixonei por programação e acabava fazendo muito mais do que o professor pedia nos projetos da escola. Na época o professor Serra me chamou pra trabalhar com ele em um projeto como estagiário, depois apareceu outro estágio, dai o meu primeiro emprego e pronto.

Em 2010 eu participei do primeiro QCON São Paulo e foi demais, todos os projetos que os palestrantes trabalhavam eram super desafiadores e interessantes, eu me apaixonei pela cidade, pelas pessoas, por todas as oportunidades que podia ter ali e etc. Voltei com a cabeça feita de que ia morar lá, 2 meses depois me demiti do meu emprego, larguei a faculdade e fui, alguns amigos apoiaram, outros tentaram me fazer desistir, mas eu tava decidido. Pouco tempo depois comecei a trabalhar com mobile e curti bastante.

Hoje trabalho numa empresa bem legal chamada Mirego, a gente faz aplicativos pra Start Ups e pra algumas empresas que precisam de uma solução mobile completa.É bem legal, tenho estado bastante envolvido na comunidade de desenvolvedores Android, em 2014 e esse ano palestrei no Droidcon New York. Junto com a Mirego, organizei o Droidcon Montreal que foi um sucesso, vou palestrar no Droidcon Londres mês que vem pela primeira vez, que é o maior de todos com mais de 1000 participantes e faço parte da bancada que seleciona as palestras pro Droidcon San Francisco. Gosto muito de conferências, foi através delas que aprendi muita coisa e conheci muita gente. É um prazer poder compartilhar meu conhecimento.

QW: Você passou primeiro por São Paulo, como é o mercado lá? É diferente de Fortaleza?

MP: É diferente de Fortaleza no sentido de oportunidades, São Paulo é uma metrópole, você vai encontrar empresas de todos os tipos e todos os jeitos. Como falei na pergunta anterior, o que mais me chamou atenção na cidade foi exatamente isso, a oportunidade de trabalhar em projetos que possam mudar a vida de mais pessoas num sentido global e com desafios maiores. É mais fácil também encontrar empresas que trabalhavam com tecnologias mais novas e que são mais abertas a deixar o funcionário ir mais além. Isso era bem legal.

Em Fortaleza eu sentia que as opções eram muito limitadas, principalmente em 2010, a maioria dasdev-android empresas eram de consultoria e grande parte dos projetos era pro governo, não há nenhum problema com isso mas, pessoalmente, eu queria trabalhar com tecnologias novas, coisas diferentes e ao mesmo tempo ter estabilidade. São Paulo também tem grandes eventos e a cidade não pára. Se você não se importar com o metrô mega lotado, trânsito do inferno e alagamentos quando chove, é uma cidade maravilhosa pra conseguir trabalhos incríveis e pra crescer profissionalmente. Eu gostava de São Paulo não só profissionalmente, mas também pessoalmente, bares, baladas, festas, lojas, shows, eventos, eu amava morar lá. Eu <3 São Paulo.

QW: Em que momento você decidiu que era hora de sair do país?

MP: Eu sempre tive vontade de sair do país, talvez não pra sempre, como penso hoje em dia, mas pra poder saber como seria trabalhar, viver em uma outra realidade, cultura e etc. Em 2011 eu já tinha aceitado o fato de que não ia conseguir terminar a faculdade, trabalhava demais e a maioria das coisas eu já tinha visto no curso técnico de informática do CEFET. Decidi então entrar em um curso de francês em 2012 pra poder aumentar as oportunidades de poder vir pro Canadá e acabou dando tudo certo.

“Gosto muito de conferências, foi através delas que aprendi muita coisa e conheci muita gente. É um prazer poder compartilhar meu conhecimento.”

QW: Como você decidiu pra qual país você iria mudar?

MP: O Canadá sempre foi um país que me chamou atenção, ai você me pergunta porquê, e ai eu te digo que sinceramente, eu não sei. Quando a maioria dos meus amigos soube que eu vim pra cá, muitos deles falaram: “nossa você sempre quis ir pra ai, parabéns.”. Isso me fez pensar, é verdade que eu sempre quis vir pro Canadá, mas nunca consegui lembrar do porquê. Eu ter escolhido o Canadá no final das contas foi sorte, porque é um país aberto a imigração e que contrata bastante estrangeiros. Alguns brasileiros acabam escolhendo a Austrália por ter um clima mais parecido com o do Brasil e também ser bem aberto a imigração.

QW: Quais foram os passos depois de decidir mudar de país?

MP: Procurar ver o que era preciso pra chegar no objetivo e não deixar se abalar pelas dificuldades. Eu não tinha faculdade nem 10 anos de experiência, ir pra parte inglesa era mais complicado, apesar de na época eu já falar inglês. Vi que a imigração pelo Québec era mais rápida e fácil, mesmo tendo que aprender francês. Vi que em São Paulo existe uma escola chamada École Québec, que ensina o francês falado aqui, então fui logo me inscrevendo no curso com mais carga horária que eles tinham e estudava como um condenado. Eu odiava no começo, nossa como odiava, com o tempo fui conhecendo a cultura, gírias, maneiras, trejeitos e fui me apaixonando. Hoje adoro a cultura, a língua, as pessoas e tudo por aqui.

Resolvido o problema da língua, fui ver as maneiras de vir pra cá legalmente, tem o processo de imigração normal por exemplo, que é quando você aplica pra ser residente permanente e tudo mais, todas as informações dá pra encontrar no site do Governo do Québec. Estudando as maneiras de vir pra cá, vi que também poderia vir com um visto de trabalho e depois virar residente permanente, daí fiquei sabendo da Missão de Recrutamento do Québec. É uma missão que levam empresas do Québec para o Brasil para contratar profissionais para viver e trabalhar aqui, já que aqui a mão de obra é bem escassa na área de tecnologia. Mandei meu CV pra algumas vagas, fiz três entrevistas, acabei recebendo uma proposta de emprego e vim pra cá.

Veja também:

> Mercado de TI no Exterior

QW: Quais foram as maiores dificuldades encontradas nesse primeiro momento, os tramites para começar a trabalhar fora?

MP: Antes de vir pra cá, eu diria que é lidar com a ansiedade. Uma vez que você entra nesse processo todo, é como se você entrasse numa fase da sua vida que você só vive pra isso, tudo que você faz, compra, planeja, é pensando que um dia você vai sair do país. Mas o processo é complicado e nem tudo são flores, não se deve ser negativo mas também tem que estar consciente que pode não dar certo. Eu sempre fui muito ansioso e nunca fui bom em lidar com decepções então o ano de 2012, que foi ano praticamente onde comecei a estudar francês, me planejar, mudar minha vida e consegui meu emprego, foi uma montanha russa de emoções.

Uma vez que você chega aqui, vem o medo, o medo de não se adaptar, de não gostar, de não conseguir se expressar bem na língua da cidade, de não ir bem no trabalho, perder o emprego e voltar pro Brasil, o medo de não fazer amigos porque a cultura é muito diferente, entre outras coisas. Eu achava muito frustrante no começo não poder ser eu, não poder fazer minhas piadas, não poder expressar minhas opiniões, de ser mais útil em decisões de projetos e etc. Mas passa, quando você menos espera você já ta dominando a língua e até a cultura.

QW: As entrevistas que você fez fora do País são diferente das que você fez no Brasil? Conta um pouco para gente.

MP: Algumas sim, outras não. Depende muito da empresa que você vai trabalhar. Se você for trabalhar numa consultoria, é de um jeito, se você for trabalhar numa Start Up, é de outro, se você for trabalhar numa empresa de produto, é de outro. Durante meus 3 anos aqui eu passei por esses três tipos de empresa. A maioria dos processos foram similares, mudando em pequenos detalhes.

Eu diria que a maior diferença entre aqui e o Brasil é que a dor da rotatividade de profissionais e a dor da falta de profissionais é muito muito forte aqui. Eles estão cansados de gente que troca de emprego a cada 6 meses ou que só trabalham porque precisam de um emprego. Então quando você faz entrevista em uma empresa, eles vão te perguntar coisas pra poder checar se você quer um emprego qualquer ou se você quer trabalhar lá, perguntam da sua vida pessoal, como por exemplo o que você gosta de fazer no tempo livre, se você tem planos de sair de Montreal, o que você mais gosta na cidade e etc. Eu diria que 90% das empresas aqui sempre perguntam se você tem perguntas pra eles, pra poder verificar seu interesse em trabalhar lá e o conhecimento que você tem da empresa. Além disso, quando você envia o CV, eles esperam que você escreva uma Cover Letter, é tipo uma cartinha onde você escreve rapidamente porque você quer trabalhar lá e porque você acha que você é o melhor pra vaga.

Eu entrevisto os candidatos pra vaga de Android e iOS aqui na Mirego. Normalmente são 4 fases:

  • A primeira é por telefone, pra poder saber um pouco de você e da sua vida.
  • A segunda é mais técnica, que é a que eu participo normalmente, nessa também algumas pessoas da equipe que você vai trabalhar participa só pra poder ver o que eles acham de você. Cada entrevistador tem uma prioridade diferente quando entrevista um candidato, minhas perguntas são normalmente voltadas a paixão da pessoa pela vaga que se candidatou e se ela conhece bem a plataforma, pergunto sobre performance, interface e o que levou aquela pessoa a estar trabalhando com aquilo ou por que ela quer começar a trabalhar com aquilo. Outras perguntas podem envolver Design Patterns, soluções e etc. Nessa mesma entrevista passamos um teste pra programar na lousa e as vezes passamos outro teste onde o candidato deve nos explicar na lousa como ele desenvolveria uma solução completa de um aplicativo como digamos, Evernote.
  • Terceira e quarta fase normalmente se passa no mesmo dia, a terceira é mais técnica, mas um pouco mais voltado a arquitetura e tudo mais, a quarta fase é negociação de salário e termos.
QW: E as leis trabalhistas no País que você está, como são?

MP: Aqui não tem 13º, quer dizer, sim tem, mas é diferente, vamos lá, na verdade o 13º no Brasil não é uma vantagem né? É uma forma de recuperar os dias que você não foi pago porque seu pagamento é feito em regime mensal. Aqui o pagamento na maioria das vezes é feito a cada duas semanas, ou seja, são 26 pagamentos por ano, porque o ano tem 52 semanas, se fosse feito a cada 4 semanas (1 mês), seriam 13 pagamentos, logo temos um 13º escondido ali meio que diluído em todos os pagamentos do ano.

Vantagens: Vale Refeição, Vale Alimentação, PLR, Bônus, FGTS, nada disso é comum aqui ou mesmo obrigatório, a maioria das empresas não tem nada parecido. É uma vantagem negociável, algumas empresas dão algumas dessas coisas, outras não. A Mirego, empresa que trabalho, por exemplo, fornece almoço, a gente tem um menu toda semana pra escolher o que queremos comer cada dia, mas é raro, eu sinceramente não conheço nenhuma outra empresa que faz isso aqui, o costume aqui é que todo mundo leve seu almoço pro trabalho todo dia e coma dentro da empresa. Algumas empresas vão contribuir pra sua previdência privada, do tipo, se você põe 5% do seu salário na previdência privada, eles vão depositar o mesmo valor pra você na sua previdência também. Nem todas as empresas vão te dar vale transporte, mas já é algo que é mais comum de se ver.

Licença maternidade pode chegar até 12 meses, com 70% do salário pago, ou mesmo tendo 100% do salário pago. A licença paternidade é de 5 semanas mas pode ser muito mais também, depende de como você quiser negociar, esse é um assunto bem delicado e cheio de exceções, não conheço muito bem.

Férias: O mínimo de férias que o governo obriga a dar aqui é 2 semanas, mas a maioria das empresas dão 3 semanas. É algo que pode ser negociado também. É difícil de ver gente que acaba de começar num emprego tendo 4 semanas ou mais de férias, eu conheço algumas pessoas que tem, mas a norma é 3 semanas.

Licença médica: aqui o atestado médico não significa muita coisa, isso também é negociado, algumas empresas dão 5 dias de doença por ano, ou seja, você tem direito de faltar o trabalho 5 dias no ano por motivo de doença, os outros dias que você ficou doente, você pode faltar sem problema, mas não será remunerado. Maioria das empresas dão também o que eles chamam de dias pessoais, que são dias que você pode faltar por motivos de família ou pra resolver alguma coisa no banco e etc. Normalmente é entre 3 e 5 dias. Mas também pode ser nenhum, licença médica e dias pessoais são vantagens, não obrigações, podem ser negociadas ou mesmo nem existir.

Feriados: aqui tem 13 feriados por ano se não me engano. Se por acaso ele cai no fim de semana, ele é adicionado ao seus dias de férias e você pode usar quando quiser, ou então ele é adiantado pra sexta ou empurrado pra segunda. Você também pode usar o feriado de uma forma bem flexível, tipo trabalhar no feriado e usar ele como férias um outro dia, ai depende da empresa.

Não existe carteira de trabalho, tudo é feito via contrato. O tempo de experiência pode variar também de empresa pra empresa, normalmente é 3 meses, algumas outras empresas pode ser mais ou menos, na Mirego, onde trabalho hoje, são 6 meses por exemplo. Aviso prévio mínimo é de 1 semana, mas também é negociável, pode ser 2 semanas, 1 mês, 6 semanas, normalmente isso, assim como todas os outros benefícios, são negociados e colocados no contrato.

Plano de Saúde: o plano de saúde oferecido por algumas empresas aqui é complementar, normalmente pra dentista ou pra ajudar na compra de remédios e pra pagar médicos especialistas como fisioterapeuta, psicólogo e etc. Isso porque o sistema de saúde do Canadá é universal, ou seja, para todos, não existe hospital particular, o rico e o pobre é tratado no mesmo lugar do mesmo jeito. Tudo parece muito lindo até o dia que você precisa ir pro hospital e tem que esperar 12 horas pra ser atendido (Não há hospital particular, não há concorrência, logo…). Mas também, tudo parece muito feio e injusto até o dia que você pega câncer e é tratado perfeitamente, pelos melhores médicos, com as melhores máquinas e tudo de graça (Não é a toa que dizem que se Breaking Bad fosse no Canadá, teria só 1 episódio.). Um compensa o outro.

“Eles estão cansados de gente que troca de emprego a cada 6 meses ou que só trabalham porque precisam de um emprego.”

QW: Quais foram os maiores choques em relação ao mercado de trabalho e o dia a dia das empresas fora do País?

MP: Aqui a pressão é menor, as empresas planejam melhor as entregas e tudo mais. Muitas empresas mesmo tem jornada de trabalho de só 7hs por dia. O maior choque pra mim quando cheguei foi ver que as 16:30 da tarde não tinha mais ninguém na empresa e eu me sentia super mal de sair a essa hora. Não tem ponto, ninguém vai ficar checando se você trabalhou suas horas do dia ou não. Isso é legal, mas também pode ser chato, dependendo da empresa que você trabalha, tem gente que não fará hora extra nem que a vaca tussa, o que dependendo do projeto que você ta trabalhando dá aquela impressão que ninguém tá ligando pra nada e foda-se, se você não gosta do que tá fazendo ou do projeto que você tá, de boa, mas se você tá curtindo, é bem chato.As pessoas aqui também acreditam muito no seu trabalho, seja você um Junior ou um Sênior, isso é legal.

Especialista aqui é super importante, as empresas aqui preferem mil vezes um especialista do que palestraum cara que pode fazer qualquer coisa. Algumas empresas de consultoria até podem curtir um funcionário que faz tudo porque é mais fácil de alocar em projetos, mas mesmo assim, os editais normalmente sempre pedem uma especialização. As empresas esperam que você faça uma coisa, mas que faça muito bem, um desenvolvedor que faz entrevista com a gente que faz Android e iOS ao mesmo tempo e que não tem preferência pelos dois tem menos chances de passar que um dev que faz só iOS.

O conceito de Analista aqui está praticamente morto (assim como no Brasil também, em São Paulo já não tinha muito na minha época lá), você é Analista, Arquiteto, Programador. Algumas empresas vão ter o conceito de arquiteto, o cara com mais experiência que pula de projeto em projeto pra dar um empurrão no início mas nada muito mais que isso. A não ser que você trabalhe pro governo, documentação é algo que praticamente você não faz.

QW: Quais são os planos pros próximos anos? Vai continuar no mesmo País? Quer conhecer outros países?

MP: Eu devo estar recebendo minha residência permanente nos próximos meses, poderia ter tido antes se eu não fosse preguiçoso ou um procrastinador. Por enquanto o plano é receber a cidadania, depois quem sabe, passar um tempo em outro país. Surgiu uma oportunidade de mudar pra Londres há pouco tempo mas eu resolvi ficar, Montreal é demais <3 e também atrapalharia o meu processo de imigração sair daqui agora, falta tão pouquinho.

Se você me perguntasse em agosto de 2010 se eu planejava sair de Fortaleza, eu diria que não tão cedo ou mesmo que não, 3 meses depois já tinha me mudado pra São Paulo. Não sou muito fã de planejar coisas a longo termo, apesar de que eu deveria, isso me prejudica muito as vezes, não gosto de perder oportunidades então não gosto de me prender. Mas um dia ou outro vou ter que me aquietar.

QW: Deixa uma dica para os leitores que estão querendo seguir esse caminho.

MP: Pra mim a coisa mais importante que eu poderia dizer pra alguém é, acredite mais em você mesmo. Se eu não acreditasse em mim, eu não teria feito metade do que fiz até hoje. Mas claro, uma coisa é acreditar em você, outra coisa é se achar o melhor ou não ter noção das coisas, bom senso por favor. Eu vi muitos amigos que poderiam ter tido o mesmo percurso que eu ou melhor mas que nunca nem tentavam porque achavam já de cara que não conseguiriam. Tantos amigos meus que deixaram de mandar CV pra empresas, que não tentaram vaga de estágio, que recusaram proposta de viajar, tudo por medo de achar que não seria capaz de conseguir fazer o proposto.
No Brasil a gente tem muito cultura do pobrezinho, eu nasci pobre, vou morrer pobre, eu nasci sem oportunidades, vou continuar sem oportunidades e eu acho isso uma bobagem. Eu nasci pobre, no Conjunto Ceará, com os dentes tortos, falando “g” ao invés de “r” e consegui chegar aqui, tudo porque eu tentei, se você não tentar você nunca vai saber. Mas claro, nem todo mundo é igual, alguma pessoas tem mais dificuldades, limitações e etc. Isso foi o que funcionou pra mim e é o que aconselho. As vezes você nem corre riscos. Tanta gente tentou me convencer a ficar em Fortaleza quando eu resolvi me mudar pra São Paulo, não só gente da família, mas amigos também, eu não cedi mas fico imaginando quantas pessoas devem ter cedido e se perguntam até hoje o que poderia ter acontecido se tivessem feito diferente.

Contatos é tudo, não basta só ser bom no que faz mas você também tem que ser bom com as pessoas e em comunicação. As empresas hoje em dia adoram contratar via indicação, é a melhor forma, de longe, sempre guarde contato com as pessoas, mas não seja oportunista.

Não desista facilmente, se o caminho parece longo é porque ele é longo, aceite o fato e vá levando, eu achava longuíssimo ter que esperar 3 anos pra receber a residência permanente (se eu tivesse aplicado pelo processo normal), mas trabalhava pra seguir esse caminho, sem deixar de lado também a possibilidade de vir com um emprego, que é algo mais rápido e mais fácil. Trabalhei pros dois objetivos, o primeiro que veio eu agarrei.

QW: Obrigado pela ótima entrevista Marcos Paulo. Desejamos que seu sucesso continue.

Reforçando o que o Marcos Paulo falou: Não desista! Você viu através da história dele, que não é impossível chegar onde você deseja. Basta apenas acreditar, não se deixar ficar desiludido se você tiver algumas barreiras no caminho, e no final será você falando das suas conquistas. Então pra onde você está querendo se mudar pra começar a sua carreira internacional?

Ficou curioso pra conversar um pouco mais com o Marcos Paulo?

Twitter: @marcospaulosd

Google+: plus.google.com/+marcospaulosd

E acompanhe o blog pessoal dele:  www.devforfun.com

Um comentário

  1. Paulo Amorim

    Cara, muito bom!! Quando lembro que também fiz Cefet, sou de Fortaleza e tô nessa área desde o meu início mas ainda tô estagnado, levando esse caminho que você fez apenas como meu sonho, aí a sua principal dica soa mais alto e forte: tenha mais confiança em si mesmo!! A vida é pra quem tem coragem!! Valeu, cara!!!

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