QueroWorkar#Entrevista – Poesia Compilada

Será que o seu código pode ser considerado poesia? De acordo com a Soraya Roberta, do Poesia Compilada, programar por si só já poderia ser considerado como Poesia, pois o programador ao destrinchar seu pensamento lógico em forma de código já concebe a tríade: ler, interpretar e expor, o processo de entrada, processamento e saída de dados.

Será que somos ou seremos os grandes poetas de nossa geração e ainda não percebemos isso? Hoje eu converso com a Soraya, que viu um jeito de unir o que ela mais gostava, o Português, com a beleza da programação como arte. Ficou curioso pra saber como isso é possível? Quer escrever as suas primeiras poesias? Calma! Leia antes esse QueroWorkar#Entrevista especial pro ByteGirl e depois vai lá no site deles para escrever suas poesias.

    1. O que é o Poesia Compilada?

      O poesia Compilada é um manifesto literário assim como o Manifesto antropofágico, Futurista, dadaísta e tantos outros foram, ou seja, propõe uma nova maneira de traduzir, interpretar/ observar a arte. Uma nova estética. A arte em questão usada no Poesia é o algoritmo, pois os manifestos tem essa característica :tentar propor de acordo com a época em questão uma nova forma de ler o mundo.
      Com isso, o Poesia Compilada se configura como uma forma de expressar o código visto por uma outra ótica, a ótica da arte poética. Programar por si só já poderia ser considerado como Poesia, pois o programador ao destrinchar seu pensamento lógico em forma de código já concebe a tríade: ler, interpretar e expor, o processo de entrada, processamento e saída de dados.
      Eu sempre gostei de literatura, e sempre escrevi poesias, tenho até uma heterônima, então, em 2012 quando entrei para o IFRN-Campus Caicó e comecei a estudar o Técnico Integrado em Informática eu tive um choque com tudo aquilo, primeiro porque eu nunca tinha parado para pensar como um computador pensava e segundo porque não fazia ideia do que era um algoritmo e para quê este processo era utilizado.

    2. Como você decidiu entrar na área de TI?

      Eu entrei em TI por acaso e permaneci e permaneço na área porque conheci o Feminismo e pessoas que me influenciaram. Inicialmente eu só queria fazer um bom Ensino Médio, sendo assim tive a oportunidade de fazer um exame de seleção para estudar no IFRN e então o fiz para Informática porque eu tinha em mente que iria aprender a consertar computador, e de fato aprendi(risos), mas vi muito mais do que isso, aprendi a construir sistemas e como se dá o processo de gerenciar a área de TI em uma organização. Atualmente eu estudo Bacharelado em Sistemas de Informação, na UFRN-CERES-Campus Caicó. Eu fui empoderada por meio do Feminismo e tive o apoio da minha família e dos meus amigos mais próximos, como o professor de Português que ajudou na criação da ideia do Poesia, o Felipe Garcia, além do meu parceiro do Poesia, Felipe Tavares e o amigo Alan Tavares.

poesia-samuel

  • Quais foram as maiores dificuldades que você encontrou quando estava na faculdade? E no mercado de trabalho?

    Acho que o principal foi tentar abstrair conceitos de programação. Eu sempre tive muita dificuldade com Matemática e a linguagem Matemática  sempre foi incógnita, porém como eu sempre gostei de entender o porquê das coisas acontecerem e como elas acontecem eu vi nas linguagens de programação, principalmente em Python, uma forma de resolver não só problemas matemáticos, mas também problemas pessoais e assim foi aos poucos tornando mais maleáveis a compreensão sobre os códigos.
    No mercado de trabalho ainda não tive contato, minha área de atuação sempre se deu nos projetos de ensino, pesquisa e extensão, mas neles a principal dificuldade foi como aplicar aquilo que eu aprendia em sala de aula na prática.

  • Você sofreu algum tipo de preconceito quando estava na faculdade ou já no mercado de trabalho? Se sim, conte pra gente como foi e como você lidou?

    Eu sofri diversos no Ensino Médio integrado, sempre por parte de colegas e vez ou outra de alguns professores. Um deles foi ter que ouvir de um colega em meio a um trabalho em grupo que era melhor eu ficar responsável pela parte escrita do projeto do que com alguma parte de programação do sistema, pois por eu ser mulher eu iria colocar em risco a nota do grupo, já que nas palavras dele “mulher só serve para escrever artigo e assessorar o homem, nada de entrar com a parte de lógica.” A partir de então eu resolvi que não iria mais participar desse projeto e resolvi criar o meu sozinho, eu tinha encontrado o Feminismo faziam uns 4 meses, então estava no êxtase do empoderamento.

  • Qual a sua visão para o fato de ter tão poucas mulheres atuando nas áreas de tecnologia? O que você acha que falta para que isso mude?

    Inicialmente temos a presença das instituições sociais, mais atentamente a família e a Igreja que reprimem desde cedo e definem o que deve ser feito por homem e mulher. No que concerne a família temos os brinquedos que desde a infância decidem o que a menina ou menino deve optar por brincar e por meio disso ter uma maior proximidade no futuro e assim fazer parte de sua profissão, enquanto que em relação à Igreja eu já tive relato de amigas no técnico que foram praticamente impedidas de seguirem carreira em TI porque não era uma coisa “ bem vista” pelas pessoas que comungavam da mesma religião que ela.
    Um segundo ponto que é consequente disso é o machismo que impede que mulheres atuem no mesmo ambiente, ganhando o mesmo dinheiro e compartilhando do mesmo ou mais conhecimento que os seus colegas de profissão homens, já ouvi relato de profissionais que se dizem sentirem intimidados quando são “obrigados a trabalhar com mulheres”, pois não podem mais fazer piadas que faziam antes com seus colegas. A falta de empoderamento é o terceiro fator, porque se temos ambientes cada vez mais machistas, temos que atuar cada vez com o feminismo para tentar diminuir e enfim buscar a igualdade nesta área, afinal nós mulheres somos seres humanos, o que ta faltando nisso tudo é que nos entendam como tal, porque alguns parecem que só nos veem como coisas, o bug do sistema, como bem definiu um colega um dia tentando “brincar” sobre a presença da mulher em TI.

  • Como surgiu a ideia de transformar programação em poesia?

    Eu percebi que a programação tinha características da Poesia, como as quebras de linha, a diferença entre sintaxe, semântica, a forma como é utilizado sinais de pontuação e até mesmo a influência da cor. Assim, senti a necessidade de criar algo novo que compilasse poesia com programação, fui motivada pelo meu professor de Português a produzir, por meio da metalinguagem o que seria esta ideia, ou seja, a própria concepção do que seria o Manifesto foi realizada por meio de um Algoritmo(risos) e então resolvi criar o Poesia, mas ainda não tinha o material online, então conversando com o Felipe Tavares, tivemos a ideia de que poderíamos criar um site e uma página no face para divulgarmos, já que a essência do Poesia Compilada é está na rede  e com  a rede.

  • Acompanho vocês pelo Facebook  e já vi algumas pessoas reclamando da sintaxe do código, como vocês lidam com essas questões?

    Já esperávamos por isso quando criamos o Manifesto, mas toda nova forma de expressar a arte gera esse “susto”, estranhamento nas pessoas. Por meio do nosso manifesto dizemos que o Poesia Compilada não é um código para ser executado, mas uma Poesia que utiliza elementos de linguagens de programação e com isso requer interpretação. Logo, quando vemos alguns desses comentários geralmente convidamos as pessoas para lerem o Manifesto e entender melhor.

  • Vocês criaram um editor para gerar as poesias compiladas. Como surgiu a ideia de criar isso?

    As primeiras Poesias, inclusive o “Algoritmo”o meu primeiro poema compiladp, foi criado em uma IDE, mas eu sentia necessidade de colocar determinados trechos de códigos em destaque e nem sempre era possível por meio das IDEs disponíveis, então optamos por criar algo que realmente escreva Poesia Compilada tomando como base o manifesto,o nosso editor, o Poesia() .

  • Você irá participar no ByteGirl com uma oficina. Você já conhecia o evento? O que você acha de um evento que visa incentivar a trazer mais mulheres para TI?

    Eu conheci o Byte Girl por meio de alguns amigos e cheguei até a Ana Paula ano passado para saber como seria o evento. Amei a ideia. Eu queria muito ter participado, porém ocorreu um imprevisto que me impossibilitou, mas tinha falado com a Ana que este ano já iria fazer de tudo para poder participar. Eu acho fantástico que tenhamos grupos discutindo assuntos como esse, porque sofremos tanto diariamente que, às vezes, nos desmotivamos não só por não vermos outras mulheres atuando na área de TI, mas também por não termos com quem compartilhar essas histórias e são espaços como esses que conseguimos esta liberdade.
    Olha, foi por meio de um evento como o Byte Girl, o Code Girl, que é realizado em Natal, que fui extremamente estimulada a pensar que poderia seguir carreira em TI, antes nem me passava pela cabeça… Então é interessante que as meninas participem e que os meninos levem as meninas para participar porque ela precisam conhecer melhor este fantástico ambiente.

  • O que podemos esperar da oficina do Poesia Compilada no ByteGirl?

    Então, fiquei muito feliz com o convite e falei para a Ana que levarei um minicurso que nunca dei antes com uma temática mais Feminista, abordando mulheres na Poesia que ajudaram a compor outros manifestos e na TI que corroboraram para o que temos hoje de tecnologia. Não vou contar mais, porque se não estraga as surpresas(risos).

 

SAVE THE DATE:

Dia: 08/10/16 às 08:00
Local: FA7
Você terá um encontro marcado com a Soraya do Poesia Compilada para fazer a oficina que ela está preparando com tanto carinho.

Patrocínio:

iwtraining-bytegirl

logo_JetBrains_1-bytegirl
morphus-lab

 

 

 

Realização:

logo_eventvs

Publicidade

Recent Posts

Publicidade

Parceiros

QueroWorkar

O que é o QueroWorkar?

Dúvidas Frequentes

Anuncie Conosco

Contato

Recrutadores

Publique uma vaga

Nossos Serviços

Login

Candidatos

Buscar Vagas

Cadastrar Currículo


Notice: ob_end_flush(): failed to send buffer of zlib output compression (1) in /home/queroworkar/www/blog/wp-includes/functions.php on line 4344

Notice: ob_end_flush(): failed to send buffer of zlib output compression (1) in /home/queroworkar/www/blog/wp-includes/functions.php on line 4344