QueroWorkar#Entrevista – Loiane Groner

Dando continuidade a nossa série de posts de entrevistas com os participantes do ByteGirl, conversaremos hoje com a Loiane Groner, desenvolvedora full stack, Youtuber, escritora e blogueira.

Ela nos contou como decidiu entrar na área de exatas, como começou as escrever os seus primeiros livros e o que ela preparou pra sua palestra no ByteGirl. Vamos conferir esse papo.

1) Quem é a Loiane Groner? Conte um pouco para os nossos leitores quem é você, o que você faz.

livro_loianeSou bacharel em ciências da computação, 10 anos de carreira em TI. Trabalho como desenvolvedora full stack e analista de negócios, e nas horas vagas gravo aulas para o meu canal do Youtube (que agora está associado ao portal de treinamentos loiane.training) e também sou autora de 7 livros de TI, publicados e vendidos mundialmente pela editor Packt Pub.

2) Como você decidiu entrar na carreira de TI?

No ensino médio tinha vontade de fazer direito com o objetivo de virar juíza. Porém, no terceiro ano, quando estudava para o vestibular, perdi um pouco o interesse por achar as matérias da segunda fase um pouco cansativas, com muitos detalhes (principalmente história).

No segundo semestre decidi fazer um curso da área de exatas – e entre os cursos de exatas decidi por ciência da computação. A escolha foi por “gostar de computador”. Não tinha a menor ideia do que veria no curso, achava que iria aprender a consertar computador.

Naquela época não tinha internet como temos hoje, e internet de alto velocidade (DSL de 128kbps) era ainda muito caro. Fui na cara e coragem e acabei me apaixonando pela profissão.

3) Quais foram as maiores dificuldades enfrentadas no período da faculdade? E depois no mercado de trabalho?

A primeira dificuldade foi no primeiro período da faculdade, principalmente na disciplina de algoritmos. Minha turma tinha 50 alunos (7 mulheres) e logo no primeiro dia o professor, como de costume, perguntou quem tinha feito curso técnico ou quem tinha já alguma experiência com algoritmos. Quase metade da sala levantou a mão, e me senti meio deslocada, com medo, e me perguntei o que estava fazendo ali.

Na primeira prova tirei 6,5 (se não me engano), e logo chorei, nunca tinha tirado nota baixa antes. Decidi então estudar bastante (cerca de 4 horas por dia só fazendo exercícios) e aprender essa tal de lógica de programação. A nota foi aumentando até que na última prova do semestre tirei 10. Acabei me apaixonando por programação.

Fui privilegiada pois tive a oportunidade de fazer estágio em uma empresa que não pedia 5 anos de experiência, era realmente um estágio em TI e aprendi muito. E a coordenação da faculdade onde estudei foi quem me indicou ao estágio juntamente com outro colega. Isso é muito importante nos dias de hoje, pra quem ainda está na faculdade. É importante que a faculdade mantenha relações com empresas para que os alunos tenham a oportunidade do primeiro estágio/emprego, pois é benéfico para todos os envolvidos: a empresa, a faculdade (que pode usar isso até como marketing/diferencial) e principalmente ao aluno.

4) Você sofreu algum tipo de preconceito quando estava na faculdade ou no mercado de trabalho? Se sim, conte pra gente como foi e como você lidou?

Acho que toda menina/mulher acaba sofrendo algum preconceito em cursos de exatas. Sempre tem no mínimo as piadinhas. Às vezes quem faz a piada pode não perceber, mas acaba sendo uma forma de preconceito.

Sempre procuro não deixar nenhuma piada ou algo mais grave me atingir. Afinal, gênero não define capacidade (nem em exatas nem em qualquer outra área), mas infelizmente ainda tem pessoas que pensam que sim.

Já vi anúncio de oferta de emprego somente para homens. Era na área de infra. Na descrição estava que o funcionário teria que carregar computadores (mover de lugar, de uma sala pra outra). Até hoje não entendo o porquê de ser somente para homens, afinal, até uma criança consegue pegar um monitor ou um gabinete e carregar para um outro lugar. Enfim, infelizmente existem casos assim.

5) Qual a sua visão para o fato de ter tão poucas mulheres atuando nas áreas de tecnologia? O que você acha que falta para que isso mude?

Pessoalmente acho que vários fatores contribuíram para a entrada massiva de homens na área. Se formos ver a história, eram as mulheres que dominavam a área de TI antes. A primeira pessoa a programar foi uma mulher, assim como temos vários exemplos de mulheres importantes, que até programaram foguetes que foram para o espaço. Por vivermos numa sociedade ainda patriarcal, onde tem-se o mito de que é o homem que precisa ganhar dinheiro e sustentar a família, homens viram que poderiam ganhar dinheiro, e começou o boom de homens na área. O número de mulheres foi caindo e está até hoje assim.

Acho que precisa ter mais marketing nessa área no ensino médio. Eu mesma nem fazia ideia de que existia essa profissão. Profissões como ser advogado(a), medico(a) são mais, digamos, populares. Ter um aluno que passa em primeiro lugar em medicina é marketing na certa. Profissões de exatas quase não são divulgadas (pelo menos não na minha época de colégio). Então como alunos(as) podem se interessar por uma profissão que não conhecem?

Outro ponto, como disse antes, vivemos ainda numa sociedade patriarcal. Meninos são incentivados a desenvolverem o raciocínio lógico desde criança, através de legos e video-games. Não que brincar de boneca ou casinha seja errado (eu amava e brinquei de Barbie até os 15 anos), mas não custa deixar as crianças brincarem com qualquer brinquedo, afinal não existe brinquedo de menina ou menina, existe apenas brinquedo.

Sem contar com o fato de já ter uma maioria de homens e uma area pode acabar espantando mulheres, que ficam com medo de iniciar por conta de escutar que “exatas não é coisa de mulher”. É a mesma coisa com homens que querem entrar para áreas ditas “femininas”, como pedagogia ou moda. O problema em si não está apenas numa área ou profissão, temos um problema como sociedade.
Programas de incentivo ajudam muito, mas não é algo que vai mudar da noite pro dia. A mudança virá depois de várias gerações. E a cultura precisa mudar junto.

loine-palestras

6) Falando um pouco sobre o seu trabalho, quando você decidiu começar a escrever os seus livros?

Quando me mudei para São Paulo comecei a trabalhar numa empresa como off-shore (prestando service para uma empresa Americana), e senti a necessidade de fazer um blog em inglês também para treinar a língua. Comecei a publicar artigos e tutoriais sobre Sencha, que ganharam destaque internacionalmente e a editora convidou para escrever o primeiro livro. Como era um desafio legal e também um sonho, aceitei, gostei e continuo escrevendo até hoje sempre que tenho oportunidade.

7) Como fazer pra adquirir seus livros?

Os livros foram publicados em inglês, ainda sem tradução para o português (um alô pras editoras brasileiras que tenham interesse em fazer a tradução! rs). Portando são vendidos somente no formato ebook aqui no brasil. Quem tiver interesse pode adquirir pela amazon.com.br ou sites das livrarias saraiva ou cultura. O livro físico somente pelo próprio site da editor (packtpub.com) ou pela amazon.com (livros são isentos de impostos em compras internacionais).

8) Vendo o seu site percebi que você, além dos livros, também grava aulas que vão para o seu canal no Youtube e ainda trabalha no Citibank, como você tem tempo pra isso tudo? Como você gerencia o seu tempo pra dar conta de tantas atividades?

Bem, em primeiro lugar tenho o meu trabalho como desenvolvedora, que é full time. Quando sobra tempo me dedico aos outros projetos, como livros, blog e youtube. Durante a semana e eventuais fins de semana trabalho normalmente. À noite tento estudar tecnologias novas pra me manter atualizada e preparo material para o youtube ou edito as aulas. Nos fins de semana, tiro um dia para gravar várias aulas de uma vez e tento tirar o outro dia de folga para passar um tempo com a família.

A ordem das atividades extras pode variar, mas é basicamente isso: tento aproveitar o tempo à noite e pelo menos um dia do final de semana.

No início foi mais complicado tirar tempo para me dedicar à atividades extras. Afinal, criei o blog Loiane.com como forma de parar de jogar video-game (pois achava que tomava muito meu tempo). Mas depois você se adequa à rotina e hoje sinto falta se não estiver trabalhando em nenhum projeto extra, além do meu trabalho normal.

9) Você irá participar no ByteGirl, como uma das principais palestrantes do dia, você já conhecia o evento? O que você acha de um evento que visa incentivar a trazer mais mulheres para TI?

Vi uma chamada no Facebook ano passado sobre o evento, se não me engano foi pessoal da JavaCE que postou. Acho super legal a iniciativa, assim meninas e mulheres podem se sentir mais confortáveis ao ver mulheres palestrando e são incentivadas a participar – aí verão que TI pode ser bem legal se você curtir a área e gostar de estudar.

10) O que podemos esperar da sua palestra no ByteGirl?

facebook-loineVou mostrar como desenvolver aplicativos móveis híbridos com frameworks que estão na última moda no mundo de TI (Ionic e Angular 2)! Além de aprender um pouco sobre Angular 2, que está prestes a ser lançado oficialmente (versão final), vou mostrar como podemos usar tecnologias que usamos em desenvolvimento web para criar aplicativos híbridos, ou seja, código HTML, CSS e JavaScript, mas empacotado e pronto para ser distribuído nas app stores como Google Play e Apple Store.

SAVE THE DATE:

Dia: 08/10/16 às 08:00
Local: FA7
Você terá um encontro marcado com a Loine Groner para fazer a oficina que ela está preparando com tanto carinho.

Patrocínio:

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morphus-lab

 

 

 

Realização:

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