QueroWorkar#Entrevista – Karen Figueiredo

Mais uma entrevista com os participantes do ByteGirl e essa semana entrevistamos a Karen Figueiredo. Ela que mora no Mato Grosso, é professora e coordena os projetos: Delete seu Preconceito e Meninas Digitais do Mato Grosso, conta um pouco da sua experiência e o que ela vai apresentar no ByteGirl desse ano.

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QueroWorkar: Quem é a Karen Figueiredo? Conte para os nossos leitores um pouco mais sobre os projetos que você participa,  o que você faz hoje e o que pretende fazer nos próximos anos?

Karen Figueiredo: Atualmente sou professora na Universidade Federal de Mato Grosso e coordeno os projetos Meninas Digitais Mato Grosso e Delete seu Preconceito. Além das aulas, projetos e pesquisas em Computação, faço Doutorado na área de Educação. Para os próximos anos, pretendo concentrar minhas energias principalmente na minha pesquisa do Doutorado, que tem como objetivo investigar os fatores que influenciam as alunas de Ensino Médio durante o processo vocacional para escolherem (ou não) cursos das áreas de Computação e Tecnologias.

QW: Como você decidiu entrar na área de TI?

KF: Não sei se inicialmente foi uma decisão consciente. Minha mãe estudava e atuava na área e com certeza foi uma grande influência na minha criação e formação. Os “laboratórios de informática” e apetrechos tecnológicos fizeram parte da minha infância e juventude e parecia uma consequência natural fazer o curso na área. Porém, com o passar do tempo, permanecer na área foi uma escolha não só consciente, mas passional. Não me imagino fazendo outra coisa hoje, senão trabalhar com tecnologia.

QW: Quais foram as maiores dificuldades enfrentadas no período da faculdade? E depois no mercado de trabalho?

KF: Acredito que a maior dificuldade que passei no período da faculdade, foi a que muitos jovens passam ainda hoje: a necessidade de trabalhar e estudar ao mesmo tempo. As opções de estágios que são adaptáveis à rotina acadêmica são baixas dependendo de onde você mora e as bolsas das universidades possuem valores irrisórios (que eram ainda mais baixos na minha época). Sobre o mercado de trabalho, a dificuldade inicial foi justamente ter que sair da minha cidade na época no interior do RJ, pois simplesmente o mercado em TI era quase nulo. Hoje a situação lá já mudou bastante, inclusive tem um polo tecnológico considerável para atender a região.

QW: Você sofreu algum tipo de preconceito quando estava na faculdade ou já no mercado de trabalho? Se sim, conte pra gente como foi e como você lidou?

KF: Não. Eu não sofri preconceito enquanto me graduava, mas esse é o meu cenário. Sofri bastante preconceito durante o período de recém formada na chegada ao mercado de trabalho e no início da minha vida acadêmica e sei o quanto isso pode influenciar nas escolhas de uma jovem que ainda não possui tanta autoconfiança e acredita nos estereótipos que a sociedade impõe. Durante os meus estudos, o que aconteceu foi que eu era praticamente a única mulher da classe. Na graduação, de uma turma de 40 alunos, no último semestre só restavam eu e mais uma colega menina (não me lembro quantas meninas ingressaram) e somente eu me formei naquela turma (esta colega até concluiu o curso posteriormente).

No mestrado e doutorado, o cenário era praticamente o mesmo, algumas disciplinas com 5 mulheres, mas outras com nenhuma além de mim. A falta de mulheres em sala também é ruim, pois faz a gente se sentir muito só. Faz nós mesmas questionarmos as nossas capacidades e traz a tona a carga de estereótipos culturais que carregamos da sociedade, sentir a tal famosa “síndrome do impostor”. É preciso ter força para lidar com isso, se afirmar capaz e seguir em frente.

QWQual a sua visão para o fato de ter tão poucas mulheres atuando nas áreas de tecnologia? O que você acha que falta para que isso mude?

KF: A questão da baixa presença de mulheres na computação e tecnologias é uma história grande, complexa, influenciada por um conjunto de fatores. Difícil tentar explicar com uma teoria única. E com certeza varia de acordo com o local, época e cultura. Existem lugares que as mulheres estão próximas de ocupar metade das vagas de computação (ex. Índia), mas isso não faz com que os motivos que levem as mulheres a escolherem a computação ou que a área em si seja menos machista com elas.

O que é necessário para que mais mulheres participem ativamente das áreas tecnológicas e para que este ambiente seja saudável para elas, ao meu ver, é uma mudança cultural grande, que só vai acontecer a partir do interesse e educação de todos – homens e mulheres.

QW: Falando um pouco mais sobre você, li que você é coordenadora do projeto Menina Digitais, conte-nos um pouco sobre o projeto e o como ele atua ?

KF: O Programa Meninas Digitais é um projeto da Sociedade Brasileira de Computação com o 13510918_1742491935997522_5386158767431961256_nobjetivo de realizar ações (oficinas, palestras, entre outros eventos) com as alunas do Ensino Médio/Tecnológico ou nos anos finais do Ensino Fundamental, para que conheçam melhor a área de informática e das Tecnologias da Informação e Comunicação, de forma a motivá-las a seguirem carreiras nessas áreas. O Programa conta hoje com representação em 14 estados brasileiros, e eu sou coordenadora geral das ações no estado de Mato Grosso.

QW: O projeto Delete o Seu Preconceito também foi ideia sua? Conte-nos um pouco mais sobre ele.

11063675_387108244796024_6050430257194651753_nKF: O Delete Seu Preconceito foi um projeto fotográfico realizado por mim para denunciar o preconceito que meninas e mulheres, estudantes e profissionais, das áreas de Computação e Tecnologias sofrem no cotidiano. O objetivo do projeto é realizar uma crítica de impacto ao preconceito vivido e mostrar que, muito embora o cenário atual esteja cada vez mais propício com o surgimento de inúmeras ações de incentivo à participação feminina nas áreas de Computação/TI, a discriminação com a mulher ainda acontece no ambiente acadêmico, de trabalho e social.

Atualmente, o Delete Seu Preconceito conta com uma página no Facebook que concentra informações sobre ações de inclusão, histórias e denúncias diversas.

QW: Quando eu vi pela primeira vez o Delete o Seu Preconceito achei incríveis todos os depoimentos, aproveitei e divulguei tanto nas minhas redes sociais quanto no QueroWorkar, você acha que projetos como o Delete o Seu Preconceito ajudam as meninas a falarem mais sobre os problemas do dia a dia, ajudam a nos unir para mostrar uma realidade que talvez passe batida na cabeça dos homens que trabalham conosco?

KF: Acredito que sim, a página uniu bastante gente e serviu como ponto de apoio para várias meninas. Meninas de realidades diversas desabafaram e conseguiram encontrar histórias que pareciam de certa forma com as delas, eu também me encontrei com a página, descobri e aprendi muito com o projeto. Sou eternamente grata.

A participação dos homens é surpreendente positiva! Ainda hoje, a página do projeto conta com um público de seguidores de 42% do gênero masculino. Eles usaram a página para questionarem as suas ações, expressarem opiniões e reverem conceitos. Muitos enviam material para ser publicado e compartilham nosso conteúdo com suas amigas na rede.

QW: Tem alguma história do Delete o Seu Preconceito que te marcou muito? Pode contar ela pra nós?

KF: Toda história marca, toda história é importante. Não tem como escolher uma. Toda vez que eu leio uma mensagem com um depoimento de uma menina ou uma menina chega até mim em uma palestra e diz que quase desistiu do curso, mas o que o projeto ajudou ela a continuar eu fico extremamente emocionada e mais motivada ainda na causa.

QW: Você irá participar no ByteGirl, como uma das principais palestrantes do dia, você já conhecia o evento? O que você acha de um evento que visa incentivar a trazer mais mulheres para TI?

KF: Conheci o evento em 2015 pelas redes e acho a ideia fantástica! Precisamos de iniciativas de peso e o ByteGirl com certeza é uma delas. Espero que todas/os de Fortaleza e região possam participar do evento para que a gente possa fazer essa troca de conhecimentos, ideias e experiências juntas/os.

QW: O que podemos esperar da sua palestra no ByteGirl?

KF: A minha palestra no ByteGirl vai ser sobre um tema “fora do eixo”, mas que tem atraído cada vez mais meu interesse como professora, pesquisadora e pessoa: a relação entre as tecnologias, o ambiente acadêmico e a nossa saúde mental. Pretendo discutir os benefícios e os “males” dessa relação, mostrando algumas pesquisas atuais e debatendo a temática com o público do evento. Com certeza é um assunto de utilidade pública e espero poder contribuir com a comunidade.

 

SAVE THE DATE:

Dia: 08/10/16 às 08:00
Local: FA7
Você terá um encontro marcado com a Karen Figueiredo na palestra Área cinza: Vida acadêmica, tecnologia e saúde mental.

Patrocínio:

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