Em Março desse ano estava assistindo um vídeo no Youtube que falava sobre Mulheres na TI.  Minha mania de sempre olhar os comentários dos vídeo me levaram ao comentário do Gustavo Rocha que falava que em Aracati-CE existia um grupo que incentiva as meninas da região a aprender a programar. Então não pensei duas vezes e entrei em contato com a fundadora do grupo para conhecer mais sobre esse projeto e apresentar ao mundo que existe esse projeto e que está fazendo a diferença aqui pertinho do Fortaleza!

O que é o Projeto DIVAS?

O Projeto DIVAS (DesenvolvImento de ações socioeducatiVas para inclusão, desmistificAção e empoderamento da mulher em tecnologiaS da informação e comunicação) é uma iniciativa de professores e discentes do curso de Bacharelado em Ciência da Computação do IFCE Campus Aracati.

Para conhecer melhor o projeto e saber o que elas andam fazendo por Aracati convidamos a Profª Drª Carina para explicar tudo sobre o projeto. Vem que é empoderamento de todas maneiras possíveis!

QueroWorkar – Como surgiu a iniciativa do projeto?

Profª Carina – Ao perceber que no IFCE as matrículas de homens nos cursos de Tecnologias da Informação e Comunicação – TIC (ex: Ciência da Computação, Engenharia da Computação, Redes de Computadores, Telemática etc) são muito mais expressivas (na ordem de 80%, contra apenas 20% do sexo feminino), surgiu o DIVAS com a proposta de desenvolver ações socioeducativas para inclusão, desmistificação e empoderamento da mulher em TICs. A relevância do projeto DIVAS está baseada no fato de tal disparidade produzir reflexos na inclusão profissional, tendo em vista que o mercado de trabalho tem sido cada vez mais receptivo a alunos egressos de cursos de TIC, e oferece empregos mais interessantes, maiores salários, e maiores possibilidades de progressão em relação a outras carreiras. Portanto, o DIVAS consiste em uma proposta de extensão tecnológica e social bem afinada com os objetivos institucionais do IFCE Aracati, que possui em sua missão institucional envolver servidores e alunos em ações para produzir melhorias concretas na sociedade.

QW-  Depois do início do projeto, vocês perceberam uma mudança na presença feminina nos cursos da área de tecnologia?

Carina -Sim, percebemos essa mudança em duas principais vertentes. Na primeira, várias alunas de uma escola pública de Aracati que participaram do projeto DIVAS ingressaram no curso Técnico em Informática do IFCE Aracati. Na segunda vertente, a taxa de evasão das alunas do curso de Bacharelado em Computação do IFCE Aracati que participaram do projeto é praticamente nula. As alunas passaram a participar mais ativamente das atividades extracurriculares, de pesquisa e extensão do campus, tais como: reuniões para debater a participação feminina no curso, atividades preparatórias para as competições de programação, palestras técnicas, projetos de inclusão digital e social, etc.

QW – Quais são as maiores barreiras que fazem as mulheres desistirem dos cursos de tecnologia?

Carina – Os motivos são os mais variados. Por exemplo, nós aplicamos um questionário para as alunas matriculadas e desistentes do curso de Bacharelado em Ciência da Computação do IFCE Aracati com o objetivo de delinear o perfil feminino discente no curso como suporte à implementação de estratégias de permanência e êxito. Dentre os questionamentos, foi perguntado para as alunas “Quais a maior dificuldade enfrentada no curso?”. 37.5% responderam que a maior dificuldade estava em acompanhar o nível técnico das disciplinas, principalmente as disciplinas que envolvem programação e cálculo. Em segundo lugar, 28.1% citaram o fato de morar em uma cidade distante do IFCE e ter que se deslocar diariamente para Aracati. É importante destacar que nas cidades do interior, como o Aracati-CE, é forte a visão de que a mulher deve se ocupar dos afazeres domésticos, seja no próprio lar, seja para terceiros. Percebi que muitas vezes a inclusão social das alunas encontra os primeiros obstáculos nas próprias famílias. Vale o registro de que o trabalho infantil, do qual o trabalho doméstico (principalmente feminino) é exemplo, é uma das principais causas da evasão e da retenção escolares. O combate ao trabalho infantil, uma das metas da Organização das Nações Unidas (ONU) e Organização Internacional do Trabalho (OIT), é responsável pela tríplice exclusão: impede a criança de brincar e estudar na infância, impede o jovem de conseguir formação profissional e colocação no mercado formal de trabalho, e, ao fim da vida, sem ter contribuído com a previdência, impede o acesso a uma aposentadoria, perpetuando-se, assim, o ciclo de pobreza de cada família.

QW – Vocês atuam nas escolas públicas, como os alunos recebem essa disciplina? Eles gostam? Ficam curiosos, procuram aprender além do conteúdo que é apresentado para eles?

Carina – Não somente as alunas e alunos mostraram-se motivados com as ações realizadas, mas também as professoras e diretoras das escolas atendidas, que sempre nos apoiaram na execução e logística das ações. De nosso lado, como executores das ações, também aprendemos com essa troca de saberes e experiência. Durante as ações nas escolas, adotamos a estratégia de estimular o aluno a pensar mais do que ouvir. Procuramos desenvolver a sua autoestima no processo de aquisição do conhecimento, valorizando-o enquanto pesquisador de seu próprio aprendizado. Por exemplo, durante as oficinas de introdução à programação, apresentamos inicialmente como programar uma tarefa simples, mas eles sempre querem ir além e realizar tarefas mais complexas. Nós deixamos eles pensarem e executarem as ações de forma livre, cada um no seu ritmo.

QW – Sempre que eu penso numa maneira de atrair mais meninas para área de tecnologia eu acho que o melhor caminho é apresentando para elas durante o ensino médio que é um período que elas estão tomando a decisão em relação ao seu futuro profissional. Na sua opinião, quais são as iniciativas que podemos ter para atrair mais meninas pra área de tecnologia?

Carina – Essa pergunta é bem fácil de responder. Seguem minhas sugestões TOP 5:

  1. Aproximar alunas de escolas públicas de alunas e alunos de cursos de TIC de universidades e institutos de ensino superior através de um programa de apadrinhamento visando a assistência educacional em atividades de matemática, física e informática;

  2. Realizar cursos e oficinas práticas na área de TIC (ex: informática básica, fundamentos de  programação  de computadores, conceitos básicos de eletricidade e eletrônica etc);

  3. Fornecer informação de qualidade às jovens em processo de escolha do curso para prosseguimento nos estudos;

  4. Realizar pesquisas para delinear o perfil das alunas que serão atendidas;

  5. Realizar palestras com mulheres mostrando exemplos de pessoas ativas e bem sucedidas.

E você, o que achou do projeto? Imaginava que existia uma comunidade forte de TI em Aracati? Pois se você também não conhecia, ajuda divulgando o projeto delas e ajudando a crescer essa comunidade!

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