Oi pessoal, hoje o QueroWorkar#Entrevista falou com o Marcelo Lotif, engenheiro de Software que está hoje vivendo e trabalhando no Canadá, ele falou um pouco da sua carreira, deu várias dicas e contou como está sendo a sua experiência. 

Aproveite a entrevista!

QueroWorkar: Oi Marcelo, eu vi que você tá trabalhando atualmente no Canadá, em que você trabalha por aí? Está empregado em alguma empresa?

Marcelo Lotif: Oi!

🙂 Sou Engenheiro de Software e trabalho na Wave (waveapps.com), uma startup da área de contabilidade e invoicing para micro empresas. Estou no Canadá a pouco mais de um ano e meio.

QW: Conta um pouco da tua trajetória até aqui, quais cursos você fez, quais os cargos em que trabalhou.

ML: Me formei em Ciências da Computação pela Unifor em 2008, e obtive meu título de Mestre em Informática Aplicada em 2012, também pela Unifor. Trabalho com desenvolvimento de software há 10 anos, tendo passagem por algumas pequenas e médias empresas de software de Fortaleza.

Minha experiência mais marcante foi na iFactory Solutions, onde trabalhei por 4 anos, primeiro como Desenvolvedor e depois como Líder Técnico de Equipe. Lá tive a oportunidade de trabalhar com algumas das últimas tecnologias da época e também aprimorar meu inglês trabalhando em um projeto com um cliente dos EUA com o qual eu tinha conversas diárias. Durante meu último ano trabalhei in-loco em Chicago, o que foi uma experiência fundamental para entender melhor a cultura de trabalho e processos corporativos de empresas norte-americanas, além de aperfeiçoar ainda mais o meu inglês.

QW: O que te levou a querer trabalhar fora do Brasil?

ML: Sempre quis trabalhar fora do Brasil por um tempo pois eu acho que há oportunidades muito mais desafiadoras por aqui, além de gostar muito de viajar e conhecer pessoas novas.

Toronto foi uma escolha bastante interessante pois a cidade está se firmando como um hub de startups de tecnologia na America do norte e muitas empresas estão abrindo oportunidades por aqui. Já fiz 2 processos seletivos com a Amazon e um com o Google, onde cheguei no último estágio do processo depois de 7 rodadas de entrevistas, 4 delas in-loco. Como a média é não passar em mais ou menos em 5 seleções até ser contratado por uma dessas empresas, acho que ainda tenho chances.

🙂

QW: O que você teve que fazer para conseguir ser contratado? Currículo, portfólio, trabalhos freelancer?

ML: Passei uns anos pesquisando com a minha esposa diversas formas de trabalhar ou estudar fora em vários países, até que surgiu a oportunidade para ela fazer um PhD na Universidade de Toronto, e então decidimos vir. Depois disso, conseguir trabalho aqui não foi muito complicado pois eu tinha um visto de trabalho de cônjuge por conta do PhD dela.

Tive que adaptar algumas poucas coisas, como por exemplo meu currículo teve que ser modificado para se adequar ao que os profissionais aqui estão mais acostumados. O sistema de contratação aqui é um pouco diferente, as empresas não te contaram diretamente mas através de recrutadores contratados pelas empresas. Também vale treinar um pouco o discurso quando for falar pelo telefone com os recrutadores, têm algumas coisas que chamam mais a atenção deles do que outras. O que me ajudou muito no início foi colocar meu currículo em sites como Monster.ca ou Indeed.ca e aceitar ser contatado pelos recrutadores que se interessarem pelo meu perfil.

QW: Como foi o processo de contratação?

ML: Vou falar do processo seletivo de Engenheiro de Software, no qual já fui entrevistado algumas dezenas de vezes e hoje faço entrevistas na minha empresa algumas vezes por semana.

O processo aqui se dá em múltiplas fases, com algumas variações dependendo da empresa. Normalmente começa com uma conversa pelo telefone, onde o recrutador faz perguntas básicas sobre o teu currículo pra confirmar que você é mesmo um bom candidato pra vaga e saber da tua expectativa salarial.

O próximo passo quase sempre é uma ou duas entrevistas com um engenheiro de software onde ele vai te dar um problema de programação pra você resolver ali na hora. Como programar com um cara te julgando é um pouco tenso, normalmente os entrevistadores te ajudam um pouco. Em empresas menores (como a minha) essa fase acontece no escritório da empresa, e em empresas maiores acontece remoto via skype ou google hangout. Algumas empresas como a Amazon por exemplo, utilizam sites como hackerrank.com pra automatizar essa etapa.

O próximo passo é uma entrevista com um Líder Técnico (Engineering Manager) onde ele vai te fazer perguntas sobre modelagem de software, conhecimentos sobre processos e serviços e infraestrutura. Dependendo da vaga, essa entrevista pode ser mais voltada para modelagem de classes ou banco de dados, como também pode envolver modelagem de serviços, diagramas de fluxo e comunicação, etc.

Depois seguem mais uma ou duas entrevistas que eles chamam aqui de Technical Fit e Cultural Fit. Basicamente são perguntas sobre como você gosta de trabalhar, quais foram as tuas experiências passadas, pra saber se a tua forma de trabalho se encaixa com a forma de trabalho da empresa, quais são as tuas expectativas, etc.

O último passo caso você passe em todas essas fases é a empresa te fazer uma oferta de emprego e negociar o salário. Após combinados os pormenores, a empresa redige um contrato e aí você está empregado.

Esse processo todo pode durar vários dias, ou semanas, mas tem empresas (como a minha) que resolvem te chamar lá por uma manhã ou uma tarde inteira e fazer todas as entrevistas de uma só vez.

QW: O que você acha que foi decisivo pra você ser contratado?

ML: Ter inglês fluente é absolutamente fundamental. Estar em dia com as últimas tecnologias e não ter medo de aprender diferentes linguagens também é muito bem visto. Estamos acostumados a um mercado mais homogêneo no Brasil, e aqui é bem diferente. Trabalhei por 8 anos com Java e desde que cheguei aqui nunca mais escrevi uma linha. Trabalho atualmente com Python e JS e a minha empresa recebe candidatos fluentes em todas as diferentes linguagens.

QW: Como está sendo a experiência de viver e trabalhar fora do Brasil?

ML: Está sendo uma experiência fantástica pra mim. Como já falei, os desafios profissionais são outros e as pessoas esperam que você programe com uma qualidade bem mais alta do que no Brasil. As empresas trabalham com problemas em um nível mais alto e isso me motiva bastante.

Na área pessoal, por outro lado, às vezes não é tão fácil. As coisas funcionam muito bem por aqui, é verdade, mas funcionam de maneira diferente. Se você não estiver com a cabeça aberta, preparado pra mudar tudo que você faz no dia a dia, ficar longe da família e passar um tempo sozinho e sem amigos, não aguenta. Conheço algumas pessoas que vieram, passaram 6 meses ou 1 ano e voltaram por que não conseguiram se adaptar. Pra quem se adapta, as vantagens são muitas ao meu ver.

 

“Nós da área de programação estamos em uma posição bastante favorável nesse aspecto pois os mercados do mundo inteiro precisam de desenvolvedores.”

 

QW: Que dicas você daria pra quem quer trabalhar aí no Canadá?

ML: Primeiro, pesquise bastante. Não é uma coisa que se decide e se faz em um mês ou dois, mas um processo que leva anos. Veja quais são as suas possibilidades (estudar, trabalhar, fazer freela pra montar uma rede de contatos, etc.) e trabalhe para atingir o objetivo.

As pessoas têm a impressão que é fácil vir para o Canadá, mas a realidade é que é fácil mas não para todo mundo, só para quem tem as qualificações necessárias. Nós da área de programação estamos em uma posição bastante favorável nesse aspecto pois os mercados do mundo inteiro precisam de desenvolvedores.

Existe um processo de imigração no Canadá chamado Express Entry e caso você atinja a pontuação necessária pode ser chamado para iniciar o processo de imigração (prepare o bolso porque não é barato.

🙂 Recomendo pesquisar sobre esse processo, é um bom ponto de partida.

 

Valeu Lotif! Muito obrigado por ter compartilhado essa experiência com a gente.

Curtiram a entrevista? Então acompanhe o nosso Blog porque vem mais por aí.

Abraços

Paulo Henrique Amaral

Paulo Henrique é analista de sistemas, programador, co-fundador do QueroWorkar, cinéfilo, nerd, marido apaixonado e pai adotivo de 2 vira-latas lindas. Adora uma polêmica, e se reunir com a sua grande família.

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