Oi pessoal, estamos de volta com mais um QueroWorkar#Entrevista, e hoje vamos conferir a entrevista que fizemos com o Anderson Fabiano, que atualmente é Engenheiro de Software na Irlanda e vai contar pra gente como chegou até lá.
Confira a Entrevista!

QueroWorkar: Oi Fabiano, eu vi que você tá trabalhando atualmente na Irlanda, em que você trabalha por aí? Está empregado em alguma empresa?

Anderson Fabiano: Oi, PH! Tudo bem? Sim, atualmente moro na Irlanda. Trabalho como engenheiro de software na Lonely Planet, uma empresa que atua há 43 anos no mercado de livros e guias de viagem, com mais de 100 milhões de exemplares vendidos. Estamos entrando forte em mídias digitais, e para isso foi aberto um escritório de desenvolvimento em Dublin, por ser um país estratégico na Europa, além de próximo dos editores e engenheiros do escritório de Londres.

QW: Conta um pouco da tua trajetória até aqui, quais cursos você fez, quais os cargos em que trabalhou.

AF: Cara, trabalho desde 1997; de lá para cá muitas águas rolaram. Já trabalhei em várias coisas interessantes, desde limpeza de vidraças e atendimento ao usuário final em um pequeno provedor de acesso à internet em 1997, até de garçom/caixa/lavador de pratos em uma pizzaria que montei em 2013. Todas as experiências foram muito boas, todas me ensinaram muito.

As experiências com tecnologia foram na iFactory, TeraTap e LonelyPlanet.

Na iFactory, tive a oportunidade de trabalhar em diferentes clientes, tecnologias e lugares. Viajei bastante pelo Brasil e Estados Unidos, visitando clientes. Sempre fui engenheiro de software, em alguns momentos trabalhei na linha de frente com o cliente; e em outros, estritamente no desenvolvimento. Gosto de trabalhar das duas formas, e a iFactory me proporcionou ambas. Foi uma experiência muito positiva.

A TeraTap foi uma iniciativa como empreendedor (empreender não é fácil). Eu vinha ganhando um dinheiro produzindo jogos artesanalmente, no tempo livre. Encontrei sócios muito bons, mas infelizmente o mercado mudou radicalmente em um ano e eu não me adaptei. Foi uma experiência fantástica tecnicamente falando. Trabalhei por mais de 1 ano com C++, e gostei muito. Antes eu considerava C++ uma linguagem pouco prática, mas hoje vejo que pode ser bem produtiva, dependendo de como é usada.

E, finalmente, na Lonely Planet aprendi muito sobre qualidade e simplicidade de código, testes automatizados e CI/CD. A Lonely Planet tem engenheiros muito talentosos que compartilham ideias inteligentíssimas. É um ótimo lugar para aprender.

Cada experiência me tornou mais consciente das minhas limitações. Cada empresa por onde passo muda muito minha forma de trabalhar. É bom demais trabalhar com tecnologia: como tudo muda muito rápido, você é “obrigado” a sempre ler, debater e se reciclar. Como gosto de ler e trocar ideias, é uma área em que me sinto bastante confortável.

 

“O mercado mudou radicalmente em um ano”

 

QW: O que te levou a querer trabalhar fora do Brasil?

AF: Apesar de ter gostado muito das visitas aos Estados Unidos, não tinha mais nenhuma vontade de sair do Brasil, mas uma amiga estava morando na Irlanda há 1 ano e incentivou muito para que eu tentasse, então uma hora eu decidi ver qual era.

QW: O que você teve que fazer para conseguir ser contratado? Currículo, portfólio, trabalhos freelancer?

AF: Cara, fiz um monte de coisas até dar certo. Mandei currículo para dezenas de empresas, recrutadores, fiz ligações, mandei email, etc. No geral, foi um processo muito mais trabalhoso do que difícil.

Aqui na Irlanda existe uma indústria de recrutamento muito forte, e alguns recrutadores podem descartar automaticamente um candidato que, como eu, precisa de visto de trabalho por não ter cidadania europeia.

Todo dia eu me candidatava a umas 10 vagas em sites como monster.ie e irishjobs.ie. Excluía as empresas de ramos que não me interessavam trabalhar, e mandava e-mail para todas as outras.

Muitas empresas e recrutadores nem responderam, mas depois de alguns dias, começaram a aparecer repostas aos emails, e depois de 3 semanas tive que parar de mandar currículo porque não dava mais conta das entrevistas. No final, após umas 10 entrevistas, tive 1 proposta ruim e 2 muito atraentes.

QW: Como foi o processo de contratação?

AF: Passei por várias fases de entrevistas, incluindo um projeto simples desenvolvido na linguagem de minha preferência (fiz em Javascript), mais uma entrevista técnica verbal, e uma última também técnica com compartilhamento de tela, onde resolvi alguns problemas trazidos pelo entrevistador na hora, no estilo “whiteboard“, só que com uma IDE ao invés de um quadro branco.

Todas as empresas que me entrevistaram tinham processos semelhantes. Um pequeno projeto, seguido de uma ou duas entrevistas técnicas. Apenas uma das empresas que me ofereceram uma proposta não teve whiteboard.

Após a última entrevista técnica, recebi uma carta formal de oferta de emprego, e após aceitá-la, a empresa deu entrada na minha documentação. Após algumas semanas, recebi meu visto de trabalho em casa, no Brasil.

Entenda o estilo de entrevista Whiteboards

QW: O que você acha que foi decisivo pra você ser contratado?

AF: Humildade, bom humor, e sintonia com os entrevistadores.

QW: Em relação ao contrato de trabalho aí, é muito diferente da CLT?

AF: Em muitos pontos, é sim bem diferente. O dia de trabalho na Irlanda é de 7 horas e meia, não de 8; não existe 13º salário nem abono de férias, as férias são de 21 dias e não de 30 (mas você pode tirar em dias avulsos, e não em no máximo dois blocos, como no Brasil) e não existe o equivalente ao FGTS nem seguro desemprego.

Os impostos sobre o salário também são mais altos que no Brasil, chegando a 42% contra 27,5% no máximo no Brasil.

Pode parecer que não vale a pena, mas como os salários são superiores à média brasileira, faz sentido financeiramente.

QW: Sobre a questão burocrática, como foi para conseguir visto de trabalho na Irlanda?

AF: Pouquíssima burocracia. A empresa me mandou o formulário de pedido de visto, eu preenchi, mandei pelo correio junto minha documentação, a empresa recebeu, deu entrada no órgão responsável, e poucas semanas depois eu recebi meu visto de trabalho em casa, pelo correio.

QW: Como está sendo a experiência de viver e trabalhar fora do Brasil? Pretende voltar?

AF: Bom demais. Muita coisa interessante para fazer, principalmente nos primeiros meses, quando tudo é novidade.

Imersão total no Inglês, cervejas maravilhosas, comidas espetaculares, viagens baratas e rápidas para qualquer país da Europa (dá para passar um final de semana na França ou Alemanha, por exemplo, e voltar ao trabalho normalmente na segunda), mega bandas internacionais toda semana na cidade, coisas com preços justos, segurança total, etc. Tudo é novo e interessante.

Sim, pretendo voltar. Não pretendo passar o resto da minha vida na Europa.

QW: Que dicas você daria pra quem quer trabalhar fora do Brasil?

AF: Em TI? Estude inglês. Nós brasileiros temos um nível técnico que não deve nada aos outros engenheiros ao redor do mundo. O diferencial é, sem dúvida, o inglês.

Fora da sua área de formação: venha preparado para trabalhar duro. É muito comum ver brasileiro trabalhando como barista, babá, faxineiro e lavador de louça. O salário mínimo na Irlanda é um dos maiores da Europa, então todas essas profissões podem proporcionar um estilo de vida confortável.

QW: Valeu Anderson, tenho certeza que todas essas dicas vão ser valiosas pra quem pretende se aventurar em uma carreira internacional.

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Abraços

Paulo Henrique Amaral

Paulo Henrique é analista de sistemas, programador, co-fundador do QueroWorkar, cinéfilo, roqueiro, nerd, marido apaixonado e pai de 2 vira-latas. Aprecia uma boa cerveja na presença de bons amigos e família.

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  • anderson

    Muito legal continuem assim.